Na noite do dia 20 cruzamos a linha do Equador e coisas estranhas aconteceram a bordo, apesar dos rituais dedicados a Netuno!
Meses antes, na noite que o Pangaea cruzou a linha do equador a caminho da Europa, estranhas luzes vermelhas foram avistadas no mar enquanto Mike tentava entender quem era o vulto fantasmagórico que vira entrar em uma das cabines de bombordo! Dessa vez, logo após cruzarmos a linha do equador, os motores misteriosamente pararam de funcionar e o vidro do painel elétrico explodiu em pedaços, espalhando cacos por toda a sala de conferências. Mistérios do mar!
Decidimos fazer uma parada estratégica no Equador. Não entendi bem o motivo, afinal das contas havíamos partido há alguns dias e estava tudo em ordem. Mas o Mike queria que parássemos no Equador. Então fomos para Salinas, localizada na Baía de Santa Elena, próximo a Guayaquil. Ficamos na simpática marina Porto Lucia, onde atracamos no dia 22. Dias de descanso!
No Equador comemos bem, atualizamos os nossos correios eletrônicos e fomos ao Shopping Center, localizado próximo à marina. Aproveitamos para substituir uma das talas da vela mestra, quebrada pelo caminho.
Ficamos no Equador até o dia 25, esperando por uma encomenda para o Mike que não chegou. De tarde partimos de Salinas para o próximo porto, Ushuaia, distante ainda 4000 milhas. Ao retornar ao oceano, próximos da costa, avistamos algumas baleias ao longe.
Nos dias seguintes, a travessia pela costa da América do Sul prosseguiu longa e monótona. O cinzento Pacífico estava calmo, com ventos fracos, praticamente sem ondulação e com dias nublados.
A Aline ficou enjoada nas primeiras semanas e mal saiu da cabine, eu tendo que cuidar dela o tempo inteiro. Fabrizio continuava a desvendar os segredos do barco e Robert consertava o que era necessário. Os motores e o sistema de refrigeração com água salgada nos deram muito trabalho nesse período.
Para quebrar a rotina, Tristan fisgou um belo dourado, depois de várias tentativas de pescar alguma coisa, que virou um delicioso jantar. Depois de trazer o peixe para o barco, não sabia o que fazer e foi auxiliado por Robert e Nick. Tristan protagonizava os momentos engraçados a bordo. Encarregado das tarefas mais indesejáveis, como bombear água dos porões ou penetrar nas entranhas da casa de máquinas para recuperar ferramentas perdidas no lodo de óleo, freqüentemente ouvíamo-lo urrar, em francês que não traduzo: “Puuuuuuuuutannnn! Bordel de meeeerdeee!
Durante a travessia os problemas com os motores e com os geradores continuaram, provavelmente devido ao combustível de baixa qualidade adquirido no Panamá. Um dos motores parou de funcionar na altura de Valparaíso, na costa chilena, mas optamos por seguir adiante, pois os ventos de popa nos eram favoráveis.
À medida que descíamos para o sul, as temperaturas tornaram-se mais amenas e os dias mais longos. Nick empolgava-se ao avistar os primeiros albatrozes errantes e eventualmente cardumes de golfinhos nos acompanhavam. A Aline sentia-se melhor, mas agora estava preocupada com a aproximação do temível Cabo Horn e com os barulhos que ouvia na caixa da quilha.
E assim continuamos nossa aventura!
Acompanhem os próximos posts!
Abraços,
Dr. Claudio
Aline, na Marina Porto Lucia
Tristan, orgulhoso de sua pescaria e sem saber o que fazer com o peixe!