Atracamos o barco ao píer da marina Shelter Bay, onde enchemos o tanque de combustível, comemos cheeseburgers e lavamos as roupas. Através de um agente contratado, conseguimos a permissão para atravessar o canal no fim do dia. A travessia do canal é necessariamente negociada através de um agente portuário e depende do tráfego de navios. Dependendo da época pode demorar dias, mas fomos favorecidos pela quebra de um navio que deveria passar pelo canal naquela noite.
O canal do Panamá comunica os oceanos Atlântico e Pacífico no ponto mais estreito das Américas. Foi construído no início do século pelos americanos, que o exploraram comercialmente até 1999. Ao contrário do que se imagina, o canal tem um percurso oblíquo, de noroeste para sudeste, de modo que quem penetra no canal pelo oceano Atlântico o faz mais a oeste do que a sua abertura no oceano Pacífico, localizada mais ao leste. A distância de um oceano ao outro é de cerca de oitenta quilômetros.
Existem três comportas de cada lado, que corrigem o desnível de 45 metros, existente entre os oceanos e o lago artificial, Lago Gatun, que fica no meio do canal. A abertura da cada comporta causa uma elevação ou descida de 15 metros. Os navios são amarrados a pequenas locomotivas, que os arrastam ao longo das comportas. No nosso caso, nos deslocamos com nossos motores.
Naquela noite, fomos elevados ao nível do Lago Gatun, onde passamos a noite, ancorados. Na manhã seguinte descemos novamente ao nível do mar e chegamos ao oceano Pacífico!
Na costa pacífica localiza-se a cidade do Panamá, capital da república. Dirigimos-nos para a Marina Flamenco, onde ficaríamos ancorados nos próximos dias. No dia 17 chegou o Robert. Finlandês, experiente em regatas e na manutenção de embarcações, Robert veio para ocupar o cargo de engenheiro do barco. Finalmente tínhamos alguém para se preocupar com motores, óleos e instalações elétricas. Sempre de bom humor e às vezes um pouco atrapalhado, mas sempre preparado para uma nova roubada!
E no dia 18 chegou a minha Aline. Conforme prometido no Brasil, solicitei ao Mike autorização para convidar a Aline para participar conosco de uma travessia. Ela nos encontraria no Panamá e iria até Ushuaia. Toda feliz, ela chegou ao aeroporto, carregada de filtros de combustível e teve que explicar aos agentes aduaneiros, que era apenas uma encomenda para o barco!
E então, com o barco pronto, anti-congelante para a Antártica a bordo, passaportes carimbados e uma namorada, partimos do Panamá no dia 19.
Acompanhem nossas aventuras e desventuras a bordo do Pangaea!
Abraços,
Dr. Claudio
O canal do Panamá. O Oceano Atlântico está a esquerda e o Pacífico à direita.
As comportas de Miraflores se abrem.
Robert, destruindo alguma coisa.