Notícias se espalham sobre a situação de calamidade que se abateu em São Paulo por causa da chuva (17/03). A cobrança por obras que controlem as águas da enchente são matérias de capa dos jornais. Os estragos e danos materiais são imensos e os climatologistas são questionados em sua função.
Mas será que é só isso?
Não sei se todo mundo reparou no tipo de foco que foi dado para o drama das famílias retirando tudo de suas casas e deixando... na rua. Ou nos funcionários em capas amarelas trabalhando a mil por hora embaixo do túnel do Anhangabaú retirando... lixo. Até mesmo o desespero das pessoas vendo bueiros e bocas de lobo não darem vazão a... água.
Três situações distintas. Três elementos simples. E que não podem ser misturados. Mas que, no caso da última terça-feira em Sampa, foram o estopim do caos. A rua, o lixo e a água.
A natureza faz as coisas de maneira perfeita há milhares de anos. O ser humano, para o caso dele, também. Mas uma coisa não tem entendido bem a outra nos últimos tempos. Algumas atitudes que o homem tomou não são o que podemos chamar de respeitosas com o meio ambiente. Nem mesmo com a própria sociedade.
E isso fez alguma coisa se mexer. Alguma coisa que já chegou ao limite do suportável e que está dando um basta para este descaso com que vem sendo tratado. Em São Paulo, essa “alguma coisa” foi a água.
E subitamente vemos aquela garrafinha pet que jogamos no cesto boiando na rua. Ou aquele papelzinho de bala jogada na calçada, atravessar nossa vista no meio da chuva.
Cobrar dos outros é fácil demais.
De quem é a culpa mesmo?
É de todos nós.
Vigas cobertas por (nosso) lixo na Av. dos Estados - uma das mais afetadas pela enchente de 17/03/2009