Londres, 20 de julho de 2008
De volta a Londres.
Limpeza do barco e novos eventos com patrocinadores. Aproveitamos para passear pela cidade e conhecer alguns pontos turísticos. Não gosto de Londres.
A decisão agora pesava entre retornar a Lorient, na França, ou partir para South Hampton, no sul da Inglaterra. O barco deveria passar por reparos e ficaria parado no estaleiro por cerca de um mês.
O controle do vazamento de água na garagem, o superaquecimento da sala de máquinas, trabalhos de marcenaria, o reforço da quilha, a revisão de todo o sistema hidráulico e a instalação de equipamentos de segurança estavam previstos no cronograma. Mike optou por South Hampton.
Partimos de Londres no dia 23 à noite. Vieram conosco Cathy e as filhas do Mike, e um novo integrante da tripulação, um suíço chamado Fritz, que atuaria como engenheiro do barco. A cabeleira de Fritz era impressionante.
Meu turno iniciou-se às 21 horas e passei boa parte do tempo conversando com o Mike a respeito do barco. Por volta de 23 horas, sozinho no cockpit, notei a presença de uma luz cintilante no mar. Chequei a carta náutica no computador, o radar e o GPS e não entendi de que se tratava.
Parecia um farol distante. Continuei no meu curso, com a distante luz no visual, sem entender bem o que estava acontecendo, pois notei que a nossa posição em um dos GPS mandava manter o curso, enquanto o outro informava que já havíamos passado daquele ponto e devíamos virar para o sul. De repente vi um flash de luz na proa seguido de um violento impacto!
Havíamos colidido com uma bóia de sinalização. Daquelas grandes. Embora o impacto tenha sido forte, o barco seguiu o curso. Mike e os outros surgiram assustados na cabine de comando, enquanto eu ainda tentava entender o que estava acontecendo. Uma rápida inspeção mostrou que estava tudo aparentemente em ordem, sem entrada de água no barco. Só então percebi que o GPS que envia informações para o computador estava desconectado.
Um perigo, confiar demais nos instrumentos de navegação. A luz que eu via no mar era a tal bóia de sinalização, que indica os bancos de areia da foz do Tamisa e que estava perfeitamente assinalada na carta náutica eletrônica. Com o GPS principal desconectado, o barco mantinha uma posição fixa no mapa, que eu acreditei ser a posição correta. Falha minha! Corrigi o curso e seguimos adiante.
De manhã, chegamos à Ilha de Wight, onde acontecia uma regata de veleiros clássicos.
Na Ilha de Wight fica localizada Cowes, uma charmosa cidade onde acontecem vários eventos relacionados ao esporte. Passamos direto e nos dirigimos à Hythe, na margem oposta a South Hampton, onde atracamos o barco ao estaleiro, localizado em uma antiga base naval americana.
South Hampton localiza-se no extremo sul da Inglaterra.
É um importante porto de passageiros, e foi de lá que partiu o Titanic, em 19.., para a sua trágica viagem inaugural. É também o porto do navio de passageiros Queen Mary 2.
Era uma quinta-feira e como o orçamento dos serviços seria realizado apenas no início da semana, decidimos passar o fim de semana em Cowes, onde ainda acontecia o evento de vela. Com o barco ancorado na baia, passeamos pela cidade, tomamos algumas cervejas, fizemos compras e no domingo à noite retornamos para o estaleiro.
O barco ficaria em reparos pelo período de um mês.
Então decidi retornar ao Brasil por duas semanas, para pôr a vida em dia...
Acompanhem nossas aventuras e desventuras a bordo do Pangaea!
Abraços,
Dr. Claudio
Fritz e sua cabeleira, na partida de Londres
Manejando o barco, agora com mais experiência!