A Groenlândia é a maior ilha do mundo e pertence ao reino da Dinamarca. A sua população é de cerca de 60.000 habitantes predominantemente de etnia Inuit. E 85% do território é coberto por uma capa de gelo permanente com cerca de três quilômetros de espessura. As poucas cidades estão localizadas no litoral e tem sua economia baseada na pesca.
Angmagssalik é a maior cidade da costa leste da Groenlândia e não passa de um vilarejo com casinhas coloridas. Mas tem um porto, um campo de futebol e hotéis que servem de base para os turistas europeus que visitam a Groenlândia em busca de turismo de aventura. Perto dali, em Kulusuk, fica o aeroporto, que recebe vôos regulares da Europa. Os passageiros que chegam a Kulusuk viajam até Angmagssalik em pequenas lanchas, numa travessia que dura cerca de uma hora.
No verão, o dia nunca escurece. À meia-noite o dia é claro como se fosse cinco horas da tarde, muito estranho para nós que estamos acostumados com um dia claro e uma noite escura. E tem muitos mosquito. São mosquitos grandes, vorazes e que atacam o dia inteiro.
No dia 6 de julho, às 18 horas, chegamos ao porto de Angmagssalik, localizado numa reentrância da baía e atracamos o barco a um cargueiro. A primeira coisa que fizemos foi colocar o inflável na água, pois estávamos todos ansiosos para subir em um dos inúmeros icebergs que flutuavam na baía. E foi o que fizemos.
A viagem até a Groenlândia tinha dois objetivos: testar o barco em um mar gelado e realizar um evento promovido por um dos patrocinadores de Mike, o champanhe francês Mumm. O evento consistia em um almoço oferecido para doze convidados, a realizar-se sobre um iceberg!
A chegada dos convidados estava prevista para dali a dois dias. Nesse intervalo, deveríamos preparar o barco para recebê-los e encontrar um iceberg adequado para a montagem da estrutura. Para auxiliar, Caroline e Martin vieram de avião, chegando no dia seguinte.
A costa da Groenlândia é cheia de reentrâncias, chamadas fiordes, que constituem canais navegáveis rodeados por montanhas permanentemente nevadas. Entre as montanhas escorrem imensos rios de gelo que deságuam nos fiordes. À medida que as geleiras deslizam em direção ao mar, o gelo compactado se fragmenta em imensos blocos que são lançados ao mar, formando os icebergs.
Encontram-se icebergs de todas as formas e tamanhos. No mar, eles viajam centenas de quilômetros à deriva, e derretem à medida que alcançam águas mais quentes. A maior parte do bloco de gelo fica submersa e constitui um risco para as embarcações despreparadas, cujo casco pode ser danificado no caso de colisão.
Logo encontramos um iceberg adequado para a realização do almoço. Localizava-se num fiorde próximo ao porto, não era muito alto e tinha a superfície plana. Perfeito para desembarcar o pessoal em segurança e garantir que o barco ficaria preso ao iceberg, durante o almoço.
No fim desse dia, levamos o barco até o aeroporto de Kulusuk, para buscar os convidados. Na saída do aeroporto, um grande susto. O skipper, entretido com os convidados se distraiu e colidiu com um grande bloco de gelo, causando um forte impacto no leme que foi projetado para cima e atingiu o casco do barco inflável, danificando-o significativamente. Mas sem maiores transtornos.
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Abraços,
Dr. Claudio
O porto e a baía de Angmagssalik com os pequenos icebergs
Navegando entre blocos de gelo