Foto aérea do dia da filmagem
Num determinado momento, com o mar calmo e o vento constante, a Gabriela me pediu para conduzir o barco. Cedi a ela o timão e depois de um minuto sentimos um forte estrondo no casco, enquanto o leme principal do barco era atirado para cima, como se tivéssemos batido em alguma coisa. Não entendi nada, pois a ilha mais próxima estava a cerca de uma milha da nossa posição e não havia nenhuma sinalização visível. Apesar de tudo, o barco seguiu o seu curso e foi mais um susto. Observando as cartas náuticas mais tarde, concluímos que batemos em rochedos submersos. No fim do dia o leme estava intacto e a filmagem, com as cenas aéreas, foi um sucesso.
No dia 19, com o barco abastecido, partimos para Hamburgo, na Alemanha. A tripulação estava composta por Mike, Claudio, Alexis, Andries, Tristan, Dario e Gabriela. Durante as travessias, nos revezamos em turnos de três ou quatro horas. A equipe do turno é composta por duas pessoas, que são responsáveis por conduzir o barco, observar o radar e realizar as mudanças de rumo, por checar o funcionamento dos motores e por manter as velas na posição adequada. Enquanto uma equipe realiza o turno, as outras descansam ou preparam a alimentação e cuidam da limpeza do barco.
Saindo de Lorient, alcançamos as águas frias do Canal da Mancha e nos dirigimos para o Nordeste, passando por várias plataformas de petróleo na costa do Reino Unido. O tráfego de navios é intenso nessa região e a atenção deve ser dobrada. Mais ao norte, próximo da costa dos países baixos, notam-se diversas estações eólicas geradoras de energia em pleno mar. Nessa costa ocorreu a única intercorrência da travessia, um leve encalhe num banco de areia nas águas rasas dos países baixos, sem maiores conseqüências. A travessia durou três dias.
Hamburgo é um importante porto fluvial que fica localizado a cerca de 50 milhas do litoral alemão. O percurso, desde o litoral é todo sinalizado por bóias e não oferece maiores dificuldades, exceto pelo grande número de navios que trafegam pelo canal.
Ficamos quatro dias em Hamburgo. Nesses poucos dias, o fato mais interessante foi quando eu e o Martin (que chegou a Hamburgo de avião) saímos, para procurar filtros de reposição para o motor do barco. As coordenadas do GPS do carro nos levaram à entrada de um edifício, na margem do canal. Demorou a percebermos que o tal edifício era um elevador automotivo que descia o carro abaixo do nível do canal. Saindo do elevador percorremos uma viela subterrânea estreita, com cerca de um quilômetro, que chegava ao elevador do outro lado. Não achamos os filtros e na volta comemos um gostoso sanduíche alemão.
No barco aconteciam visitas e coquetéis para convidados da Mercedes e dos outros patrocinadores, portanto nada a fazer. Nas primeiras horas da noite de 26 de junho, soltamos as amarras e partimos para o Reino Unido.
Falamos-nos em Londres,
Claudio