Londres
Partimos de Hamburgo, eu, o Mike, o Daniel, o Alexis, o Andries e o Tristan. Os outros foram embora de avião.
Desde Lorient, notávamos que o porão da garagem do barco enchia de água. Além disso, o piloto automático ficava louco freqüentemente. Em uma travessia oceânica, quase não se conduz o barco manualmente. O funcionamento adequado do piloto automático é fundamental para o conforto da viagem. Tínhamos, portanto, que bombear a água dos porões em todos os turnos e corrigir o curso do barco, quando o piloto pirava.
Além disso, quando navegávamos contra o vento, notamos uma infiltração de água pelos vidros da sala, com gotejamento de água salgada em cima do computador. O gerador parava devido ao aporte insuficiente de água e os escapamentos superaqueciam, devido ao constante rompimento dos rotores da bomba de água. Nessa altura, eu não estava muito preocupado, pois o Daniel e o Mike cuidavam de resolver essas panes. Mas a entrada de água nos porões me aborrecia. Como o cronograma da divulgação do projeto era apertado, prosseguíamos adiando esses reparos.
Na tarde de 26 de junho chegamos a Londres, que fica nas margens do tortuoso e despoluído Rio Tamisa. O percurso desde o estuário do rio até Londres é de cerca de quarenta milhas. A navegação pelo Tamisa é complicada, pois além de tortuoso, existe um tráfego intenso de navios e de barcaças de carga. Próximo à região metropolitana, o rio torna-se raso e estreito. A variação da maré e a corrente são intensas, o que pode ajudar ou atrapalhar de acordo com o sentido do percurso. Uma corrente contrária de quatro a cinco nós causa uma redução igual na velocidade do barco.
Amarramos o barco a uma bóia ao lado da Torre de Londres às 19 horas e ficamos aguardando a preamar, para entrar na marina.
A marina St. Katherine’s Dock fica na margem esquerda do Tamisa. É uma das marinas mais antigas de Londres. O nível da água da marina é mantido constante por uma comporta que se abre na maré cheia, para a entrada ou a saída dos barcos. Ao lado da marina, está localizada a Torre de Londres, um antigo presídio, famoso pelas execuções ali realizadas. A ponte que fica ao lado da torre de Londres, chamada Tower Bridge, é especialmente charmosa e duas vezes ao dia as suas duas metades se elevam, permitindo a passagem de barcos menores.
Sempre que chegamos a uma marina, o dia da chegada é de limpeza e organização. Depois de dias navegando o barco fica todo bagunçado. Uma vez que o barco é amarrado ao píer, temos que lavar o convés (que fica cheio de sal), organizar os cabos e as velas, remover o lixo, limpar as cabines, lavar a roupa suja e reorganizar a despensa e as geladeiras. No fim do dia, podemos nos atualizar, checar nossas mensagens eletrônicas e beber uma cerveja.
Em Londres, a agenda de atividades estava lotada. Conferências e visitas com a imprensa, coquetéis para os patrocinadores e muito entra e sai no barco. Novamente não pudemos trabalhar na manutenção do barco e então apenas aproveitamos para passear nas imediações da marina.
Com o barco abastecido e os mesmos problemas, partimos de Londres na manhã do dia 30 de junho. Destino final, Groenlândia. Nessa perna, com duração prevista de seis dias, a tripulação estava composta por Mike, eu, Daniel, Andrei, Alexis e Tristan. Estabelecemos turnos de três horas e eu e o Daniel fazíamos os turnos juntos.
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Abraços,
Dr. Claudio