Em março deste ano, ao retornar do Guarujá na noite chuvosa de um domingo, deparei-me com um enorme casco de alumínio descendo para o litoral pela pista oposta da rodovia dos Imigrantes. Parecia o casco do veleiro Paratii 2, do Amyr Klink, em escala maior. Fiquei curioso e intrigado para saber quem seria o maluco proprietário daquele monstrengo. Na semana seguinte, depois de um passeio na Baia de Santos com meu próprio veleiro, fui almoçar no Restaurante do Rony na Marina Supmar. Descobri que aquele casco, agora já quase transformado em barco, estava na marina em fase final de acabamento e em vias de partir para a Europa.
O dono do barco era um sul-africano chamado Mike Horn, um aventureiro profissional muito conhecido na Europa por suas mega expedições não convencionais. Entre os seus projetos realizados estão: a descida dos 6.700 quilômetros do Rio Amazonas, desde a nascente até a foz em uma prancha de bodyboard; a volta completa ao redor da Terra pela linha do equador (incluindo a travessia da Amazônia brasileira a pé), utilizando apenas métodos não motorizados; a circunavegação ao redor do Circulo Polar Ártico; e a caminhada até o Pólo Norte em plena noite do inverno polar. Em todas as suas façanhas, Mike utiliza a força humana como meio de locomoção e por isso construiu o veleiro para o seu próximo projeto.
O projeto Pangaea nasceu da necessidade de Mike, de compartilhar as suas aventuras com os jovens que serão os aventureiros do futuro. O projeto é composto de doze etapas, cada uma em um ponto remoto do planeta, incluindo todos os continentes, oceanos e ecossistemas da Terra. Em cada uma dessas etapas doze jovens meticulosamente selecionados encontrarão com o Mike e terão a oportunidade de participar de uma fração da grande aventura que ele realizará ao longo dos próximos quatro anos, percorrendo o planeta numa caminhada de 100.000 quilômetros. O barco servirá de ponto de apoio e meio de transporte entre os diversos continentes.
Voltando ao Guarujá, enquanto o barco era preparado para sua partida iminente, solicitei despretenciosamente ao meu amigo Dieter, responsável pela instalação dos equipamentos eletrônicos, que perguntasse ao Mike se ele estava à procura de um médico para o projeto. Fiquei surpreso ao ouvir, no fim de semana seguinte, que o Mike estava disposto a conversar comigo. Aos quarenta anos, médico com formação em Cirurgia Geral e Trauma, com experiência no atendimento médico aos esportes de ação e aventura e velejador, encontrei ali, uma oportunidade de realizar algo para o qual sempre me preparei, o de sair viajando pelos oceanos e conhecer o planeta, desprendido dos compromissos convencionais da vida urbana.
Continua no próximo capítulo...
Acompanhe as nossas aventuras e desventuras a bordo do Pangaea aqui no Blog de Sustentabilidade da BESNI.
Um abraço,
Dr. Claudio