Cabo Horn e Ushuaia

A vida a bordo de um veleiro, para quem não está acostumado, é extremamente desagradável. O barco balança o tempo todo e bate muito quando enfrenta o vento e as ondas pela proa. Quando a ondulação e o vento vêm por través, pelos lados do barco, além de balançar de um lado para o outro, ainda fica adernado, tombado para o lado para onde sopra o vento. É comum sermos atirados para cima e para baixo ou mesmo para fora da cama durante o sono. Esse balanço desigual é o responsável por causar o inevitável enjôo do mar, o famigerado marear. Mesmo marinheiros experientes ficam mareados quando o mar fica agitado.

No dia 6 de outubro chegamos à latitude dos Quarenta Bramadores, como são chamados os ventos abaixo dos quarenta graus de latitude sul. No dia nove chegamos à latitude dos Cinqüenta Furiosos e no dia 11 contornamos o Cabo Horn, como se fosse um passeio pela Baia de Santos. Netuno estava calmo por esses dias.

O Cabo Horn é um marco da navegação oceânica. É o ponto que assinala o extremo sul da América do Sul, divisor de águas entre os oceanos Atlântico e Pacífico. É conhecido pelas violentas tempestades com ventos fortes e ondas enormes. Novamente acompanhados por golfinhos por todos os lados, tomamos um champanhe para comemorar!

Na madrugada entramos finalmente no canal de Beagle, que leva a Ushuaia. O canal de Beagle, no extremo sul da Terra do Fogo, separa o Chile ao sul, da Argentina ao norte. A paisagem é fantástica com suas águas calmas e montanhas nevadas ao redor.

Em Ushuaia, conduzidos por um prático, atracamos ao porto e fomos recebidos pela simpática agente Roxana. A Aline partiu no dia seguinte à nossa chegada, pois já estava atrasada para retomar seus compromissos profissionais. No mesmo dia chegou Mike e toda a sua equipe logística, trazendo toneladas de equipamentos.

Além de Mike, Cathy e suas filhas, chegaram também Martin, Alexis e Caroline, Dario, Gabriela e o gordo Gatti, Marcus, Benedict e os guias de montanha, Fred, Claude-Alain e Erwan.

A permanência em Ushuaia, atracados ao porto, foi dedicada ao preparo do barco para a descida à Antártica. Fabrizio, auxiliado por Roxana, andava para cima e para baixo comprando todos os tipos de equipamento, Celeste abastecia a despensa, Robert trocava óleos e filtros, Marcus instalava câmeras e informatizava o barco, Andries, Martin e os guias preparavam o equipamento de Mike e eu e o Tristan auxiliávamos no que era necessário.

No dia 16 de outubro, chegaram os seis jovens exploradores, selecionados pela equipe de Mike, que nos acompanhariam à Antártica – dois suíços, Vincent e Nora, o americano Henry, a francesa Alexandra, a sul-africana Carlien e a espanhola Maria. A Geóloga Roswika, da Universidade de Munique, completava a equipe.

Na noite de 19 de outubro, depois de várias confraternizações, jantares no restaurante “La Estância” e algumas compras, partimos com 24 pessoas a bordo, rumo ao fim do mundo.

Até lá,

Claudio

 

 

Golfinhos nos acompanham pelo Pacífico

 

Um beijo para Aline, no Cabo Horn

 

Um friozinho, na Terra do Fogo

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Autor: Pangaea

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Ao Pacífico Sul

Na noite do dia 20 cruzamos a linha do Equador e coisas estranhas aconteceram a bordo, apesar dos rituais dedicados a Netuno!

Meses antes, na noite que o Pangaea cruzou a linha do equador a caminho da Europa, estranhas luzes vermelhas foram avistadas no mar enquanto Mike tentava entender quem era o vulto fantasmagórico que vira entrar em uma das cabines de bombordo! Dessa vez, logo após cruzarmos a linha do equador, os motores misteriosamente pararam de funcionar e o vidro do painel elétrico explodiu em pedaços, espalhando cacos por toda a sala de conferências. Mistérios do mar!

Decidimos fazer uma parada estratégica no Equador. Não entendi bem o motivo, afinal das contas havíamos partido há alguns dias e estava tudo em ordem. Mas o Mike queria que parássemos no Equador. Então fomos para Salinas, localizada na Baía de Santa Elena, próximo a Guayaquil. Ficamos na simpática marina Porto Lucia, onde atracamos no dia 22. Dias de descanso!

No Equador comemos bem, atualizamos os nossos correios eletrônicos e fomos ao Shopping Center, localizado próximo à marina. Aproveitamos para substituir uma das talas da vela mestra, quebrada pelo caminho. 

Ficamos no Equador até o dia 25, esperando por uma encomenda para o Mike que não chegou. De tarde partimos de Salinas para o próximo porto, Ushuaia, distante ainda 4000 milhas. Ao retornar ao oceano, próximos da costa, avistamos algumas baleias ao longe.

Nos dias seguintes, a travessia pela costa da América do Sul prosseguiu longa e monótona. O cinzento Pacífico estava calmo, com ventos fracos, praticamente sem ondulação e com dias nublados.

A Aline ficou enjoada nas primeiras semanas e mal saiu da cabine, eu tendo que cuidar dela o tempo inteiro. Fabrizio continuava a desvendar os segredos do barco e Robert consertava o que era necessário. Os motores e o sistema de refrigeração com água salgada nos deram muito trabalho nesse período.

Para quebrar a rotina, Tristan fisgou um belo dourado, depois de várias tentativas de pescar alguma coisa, que virou um delicioso jantar. Depois de trazer o peixe para o barco, não sabia o que fazer e foi auxiliado por Robert e Nick. Tristan protagonizava os momentos  engraçados a bordo. Encarregado das tarefas mais indesejáveis, como bombear água dos porões ou penetrar nas entranhas da casa de máquinas para recuperar ferramentas perdidas no lodo de óleo, freqüentemente ouvíamo-lo urrar, em francês que não traduzo: “Puuuuuuuuutannnn! Bordel de meeeerdeee!

Durante a travessia os problemas com os motores e com os geradores continuaram, provavelmente devido ao combustível de baixa qualidade adquirido no Panamá. Um dos motores parou de funcionar na altura de Valparaíso, na costa chilena, mas optamos por seguir adiante, pois os ventos de popa nos eram favoráveis.

À medida que descíamos para o sul, as temperaturas tornaram-se mais amenas e os dias mais longos. Nick empolgava-se ao avistar os primeiros albatrozes errantes e eventualmente cardumes de golfinhos nos acompanhavam. A Aline sentia-se melhor, mas agora estava preocupada com a aproximação do temível Cabo Horn e com os barulhos que ouvia na caixa da quilha.

E assim continuamos nossa aventura!

Acompanhem os próximos posts!

Abraços,

Dr. Claudio


 

Aline, na Marina Porto Lucia

 

Tristan, orgulhoso de sua pescaria e sem saber o que fazer com o peixe!

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Autor: Pangaea

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Sim, nós temos Reality Shows Ecológicos!

Depois do meu post sobre o movimento a favor da redução de consumo de água no BBB, em que os resultados valeram por mil palavras (o assunto só foi comentado pelo Bial no último dia e também com uma noticia nada agradável: eles conseguiram, mas no dia seguinte já tinham triplicado o consumo de novo), fiquei caçando programas no mesmo perfil e que pudessem agregar alguma consciencia sócio-ambiental.

Sem sucesso, questionei-me como a mídia tem abordado as temáticas tão preocupantes no nosso sistema predatório. Não, não acredito - assim como a Besni também não acredita - que seja necessário um retrocesso/recomeço da humanidade para que possamos alcançar equilíbrio entre ambiente, sociedade e economia. Porém, como o próprio nome sugere, porque não auto-sustentar todos os setores de comunicação? (sustentabilidade na mídia)

Foi então que encontrei a reportagem abaixo no site do Planeta Sustentável. E me orgulho em saber que o programa é inteiramente nacional!

Reportagem por Débora Spitzcovsky (07/04/2009)

"Você considera que seu lar ou local de trabalho sejam ambientes sustentáveis? Se não, como fazer para mudar? A nova atração dominical da TV Cultura, que estreia dia 12 de abril, pretende responder a essas perguntas de uma forma divertida e, ao mesmo tempo, educativa. 

A cada semana, o casal de apresentadores Anelis Assumpção e Peri Pane vai visitar uma residência diferente da Grande São Paulo para avaliar as condições de vida das famílias paulistanas – que, em cada episódio, terão um perfil socioeconômico diferente. Para isso, eles vão usar 10 “ecocritérios”: energia, água, alimentação, resíduos, ecossistema, transporte, bem-estar, consumo, estrutura e atitude. 

Após a análise, Anelis e Peri propõem uma série de mudanças sustentáveis – estruturais, físicas e comportamentais – aos moradores da casa, com o objetivo de tornar o ambiente em que vivem ecologicamente mais adequado. “Muito mais do que as reformas, nossa grande preocupação é fazer a pessoa refletir e mudar de atitude”, diz Anelis. “A intenção é que sejamos práticos, ou melhor, ecopráticos, já que a sustentabilidade começa dentro de casa”, completa a diretora da atração, Bia Guedes. 

Todas as dicas sugeridas pelos apresentadores são simples, eficazes e economicamente viáveis, o que faz com que o próprio telespectador possa incorporá-las ao seu dia-a-dia. E a atração conta, ainda, com outros três quadros: Zuzu Responde, em que a jornalista Maria Zulmira fala de questões importantes relacionadas à sustentabilidade doméstica; Eco Dica, que dá pequenas dicas sustentáveis, como, por exemplo, desligar o chuveiro enquanto ensaboa o corpo; e Eco Nota, uma oportunidade que as famílias terão de se auto-avaliar. 

No primeiro episódio da série – que, ao todo, tem 12 programas –, Anelis e Peri visitam uma família que mora na zona sul de São Paulo e sofre com o consumo excessivo de energia na residência. Em nome do bem-estar do planeta, os apresentadores propõem a eles uma verdadeira guerra contra a conta de luz do fim do mês. Veja um trecho do programa
aqui

EcoPrático
Estreia: 12 de abril
Exibição: domingo, às 19h
Reprise: quarta-feira, a partir das 19h30
Duração de cada programa: 30 minutos
"

Assistam e aproveitem!

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Autor: raquel

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A passagem

Atracamos o barco ao píer da marina Shelter Bay, onde enchemos o tanque de combustível, comemos cheeseburgers e lavamos as roupas. Através de um agente contratado, conseguimos a permissão para atravessar o canal no fim do dia. A travessia do canal é necessariamente negociada através de um agente portuário e depende do tráfego de navios. Dependendo da época pode demorar dias, mas fomos favorecidos pela quebra de um navio que deveria passar pelo canal naquela noite.

O canal do Panamá comunica os oceanos Atlântico e Pacífico no ponto mais estreito das Américas. Foi construído no início do século pelos americanos, que o exploraram comercialmente até 1999. Ao contrário do que se imagina, o canal tem um percurso oblíquo, de noroeste para sudeste, de modo que quem penetra no canal pelo oceano Atlântico o faz mais a oeste do que a sua abertura no oceano Pacífico, localizada mais ao leste. A distância de um oceano ao outro é de cerca de oitenta quilômetros.

Existem três comportas de cada lado, que corrigem o desnível de 45 metros, existente entre os oceanos e o lago artificial, Lago Gatun, que fica no meio do canal. A abertura da cada comporta causa uma elevação ou descida de 15 metros. Os navios são amarrados a pequenas locomotivas, que os arrastam ao longo das comportas. No nosso caso, nos deslocamos com nossos motores.

Naquela noite, fomos elevados ao nível do Lago Gatun, onde passamos a noite, ancorados. Na manhã seguinte descemos novamente ao nível do mar e chegamos ao oceano Pacífico!

Na costa pacífica localiza-se a cidade do Panamá, capital da república. Dirigimos-nos para a Marina Flamenco, onde ficaríamos ancorados nos próximos dias. No dia 17 chegou o Robert. Finlandês, experiente em regatas e na manutenção de embarcações, Robert veio para ocupar o cargo de engenheiro do barco. Finalmente tínhamos alguém para se preocupar com motores, óleos e instalações elétricas. Sempre de bom humor e às vezes um pouco atrapalhado, mas sempre preparado para uma nova roubada!

E no dia 18 chegou a minha Aline. Conforme prometido no Brasil, solicitei ao Mike autorização para convidar a Aline para participar conosco de uma travessia. Ela nos encontraria no Panamá e iria até Ushuaia. Toda feliz, ela chegou ao aeroporto, carregada de filtros de combustível e teve que explicar aos agentes aduaneiros, que era apenas uma encomenda para o barco!

E então, com o barco pronto, anti-congelante para a Antártica a bordo, passaportes carimbados e uma namorada, partimos do Panamá no dia 19.

Acompanhem nossas aventuras e desventuras a bordo do Pangaea!

Abraços,

Dr. Claudio

 

 

O canal do Panamá. O Oceano Atlântico está a esquerda e o Pacífico à direita.

As comportas de Miraflores se abrem.

 

Robert, destruindo alguma coisa.

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Autor: Pangaea

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