Fiordes, Tempestades e Fast Food

Pernoitamos em um bonito fiorde próximo a uma geleira, onde fomos passear no dia seguinte. Aparentemente inofensivas, as geleiras escondem perigosas armadilhas. As fendas existentes entre os blocos de gelo fragmentados têm dezenas de metros de profundidade e ficam camufladas por neve fresca que as cobre apenas na superfície; cair em uma fenda é geralmente fatal.

O passeio foi fantástico, exceto pelo ataque dos vorazes mosquitos árticos! Partimos da geleira e voltamos para o nosso iceberg, onde uma equipe logística já estava com tudo preparado para o almoço. Desembarcamos os convidados e aguardamos no barco, enquanto o almoço transcorria em segurança, preparado por um chefe marroquino e regado a muito champanhe.


Na volta a Angmagssalik, levantamos as velas e ficamos velejando entre os icebergs. Dormimos no porto.


O almoço do dia seguinte foi servido em um hotel para turistas. Provamos carnes exóticas, de foca e de urso polar. A carne de urso polar deve ser cozida por várias horas, e apesar do aspecto suculento, tem um estranho gosto de peixe!


Depois do almoço os convidados da Mumm partiram de helicóptero, de volta para o aeroporto, de onde retornaram para a Europa. No mesmo dia chegaram os nossos fotógrafos, Dario e Gabriela, e quatro jovens, Fred, Frankie, Nico e Charles, que ganharam a viajem como prêmio por terem vencido uma corrida de aventura organizada pela equipe de Mike.


Nos dias seguintes, passeamos por fiordes, visitamos uma vila próxima a Angmagssalik e conhecemos uma bela praia com areias geladas. O ambiente a bordo era agradável e os novos convidados decidiram partir conosco até a Islândia, de onde tomariam o avião para casa. Uma decisão da qual se arrependeriam profundamente nos próximos dias!

Na madrugada de 13 de julho, partimos da Groenlândia. Logo que chegamos ao mar aberto, o vento começou a aumentar e as ondas subiram. Durante toda a noite e no dia seguinte, enfrentamos uma tempestade com ventos de até 45 nós e ondas de cinco a seis metros. Era absolutamente impossível andar no barco, copos e talheres voavam na cozinha e os nossos convidados jaziam mortos de enjôo pelas cabines e banheiros do barco. Foram ao menos vinte e quatro horas de tensão, afinal o barco jamais havia enfrentado um mar nessas condições. No dia 14, o mar acalmou e o vento diminuiu.


Ao meio dia amarramos o barco no Porto de Reykjanes, na Islândia, e fomos almoçar numa lanchonete de fast food, pois há dois dias não comíamos nada!


Dario, Gabriela e os quatro aventureiros partiram dali e nós soltamos as amarras no dia 15 depois do almoço. A Islândia me causou uma excelente impressão, apesar do pouco tempo que permanecemos por lá. Continuavam no barco eu, o Mike, o Daniel, o Alexis, o Tristan e o Andries.
No dia 18 passamos pelo Pentland Firth, o estreito entre as ilhas Orkney e a Escócia, conhecido pela forte correnteza, que novamente estava a nosso favor e na noite de 19 de julho retornamos ao estuário do Tamisa.


O percurso noturno pelo tortuoso Tamisa foi agradável, mas quase colidimos com uma barcaça que flutuava nas margens do rio sem qualquer sinalização.


À zero hora, chegamos inteiros, de volta a Tower Bridge onde pernoitamos, aguardando a abertura das comportas da marina St Katherine’s Dock.

Até South Hampton,


Claudio


 

A geleira, com suas fendas profundas
Tempestade na costa da Groenlândia

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Autor: Pangaea

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Angmagssalik

A Groenlândia é a maior ilha do mundo e pertence ao reino da Dinamarca. A sua população é de cerca de 60.000 habitantes predominantemente de etnia Inuit. E 85% do território é coberto por uma capa de gelo permanente com cerca de três quilômetros de espessura. As poucas cidades estão localizadas no litoral e tem sua economia baseada na pesca.


Angmagssalik é a maior cidade da costa leste da Groenlândia e não passa de um vilarejo com casinhas coloridas. Mas tem um porto, um campo de futebol e hotéis que servem de base para os turistas europeus que visitam a Groenlândia em busca de turismo de aventura. Perto dali, em Kulusuk, fica o aeroporto, que recebe vôos regulares da Europa. Os passageiros que chegam a Kulusuk viajam até Angmagssalik em pequenas lanchas, numa travessia que dura cerca de uma hora.


No verão, o dia nunca escurece. À meia-noite o dia é claro como se fosse cinco horas da tarde, muito estranho para nós que estamos acostumados com um dia claro e uma noite escura. E tem muitos mosquito. São mosquitos grandes, vorazes e que atacam o dia inteiro.

No dia 6 de julho, às 18 horas, chegamos ao porto de Angmagssalik, localizado numa reentrância da baía e atracamos o barco a um cargueiro. A primeira coisa que fizemos foi colocar o inflável na água, pois estávamos todos ansiosos para subir em um dos inúmeros icebergs que flutuavam na baía. E foi o que fizemos.

A viagem até a Groenlândia tinha dois objetivos: testar o barco em um mar gelado e realizar um evento promovido por um dos patrocinadores de Mike, o champanhe francês Mumm. O evento consistia em um almoço oferecido para doze convidados, a realizar-se sobre um iceberg!
A chegada dos convidados estava prevista para dali a dois dias. Nesse intervalo, deveríamos preparar o barco para recebê-los e encontrar um iceberg adequado para a montagem da estrutura. Para auxiliar, Caroline e Martin vieram de avião, chegando no dia seguinte.


A costa da Groenlândia é cheia de reentrâncias, chamadas fiordes, que constituem canais navegáveis rodeados por montanhas permanentemente nevadas. Entre as montanhas escorrem imensos rios de gelo que deságuam nos fiordes.  À medida que as geleiras deslizam em direção ao mar, o gelo compactado se fragmenta em imensos blocos que são lançados ao mar, formando os icebergs.


Encontram-se icebergs de todas as formas e tamanhos. No mar, eles viajam centenas de quilômetros à deriva, e derretem à medida que alcançam águas mais quentes. A maior parte do bloco de gelo fica submersa e constitui um risco para as embarcações despreparadas, cujo casco pode ser danificado no caso de colisão.

Logo encontramos um iceberg adequado para a realização do almoço. Localizava-se num fiorde próximo ao porto, não era muito alto e tinha a superfície plana.  Perfeito para desembarcar o pessoal em segurança e garantir que o barco ficaria preso ao iceberg, durante o almoço.


No fim desse dia, levamos o barco até o aeroporto de Kulusuk, para buscar os convidados. Na saída do aeroporto, um grande susto. O skipper, entretido com os convidados se distraiu e colidiu com um grande bloco de gelo, causando um forte impacto no leme que foi projetado para cima e atingiu o casco do barco inflável, danificando-o significativamente. Mas sem maiores transtornos. 

Acompanhe nossas aventuras e desventuras aqui no Blog Besni Sustentável!

Abraços,

Dr. Claudio
 

O porto e a baía de Angmagssalik com os pequenos icebergs
Navegando entre blocos de gelo

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