Iceland ou Greenland?

Navegamos pelo Tamisa a favor da correnteza até o mar, viramos para o norte e entramos no Mar do Norte. No dia primeiro de julho, sempre com tempo bom, vimos as primeiras baleias, que nos acompanharam durante alguns minutos e depois sumiram.


No dia dois de julho, contornamos o Reino Unido tangenciando a Escócia pelo canal das ilhas Orkney e ganhamos o Atlântico Norte. Esse canal é conhecido por apresentar uma correnteza muito forte, que felizmente estava a favor, fazendo que o barco batesse o seu recorde de velocidade, 17,4 nós.


Continuamos sentido noroeste, sempre com mar calmo e vento a favor. O Atlântico Norte é um grande mar vazio.  Em nenhum momento cruzamos com outros barcos. No dia quatro de julho passamos pela Islândia, que deveria chamar-se Groenlândia e vice-versa. A troca deveu-se a um erro cartográfico que acabou sendo aceito e consagrado. Islândia ou Iceland (terra do gelo) é verde e a Groenlândia ou Greenland (terra verde) é coberta de gelo!


A partir da Islândia, a temperatura começou a cair e os dias tornaram-se mais longos. Até as dez horas da noite, o sol ainda brilhava. No dia 5, avistamos o primeiro iceberg e algumas horas depois, chegamos a um labirinto de blocos de gelo flutuantes. O casco do Pangaea é preparado para colidir com pedaços de gelo. Pequenos icebergs podem ser empurrados com a força dos motores, para que se abra um caminho. Foi o que fizemos nessa barreira de gelo.


Superada essa barreira, ganhamos mar aberto novamente. Ao longe já se avistavam os fiordes da Groenlândia. Às 18 horas do dia 6, aos 65 graus de latitude norte, amarramos o barco no porto de Angmagssalik.

Saudações,


Claudio

 

Os primeiros blocos de gelo avistados
Iceland ou Greenland?

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Autor: Pangaea

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A viagem promocional - Londres

Londres

Partimos de Hamburgo, eu, o Mike, o Daniel, o Alexis, o Andries e o Tristan. Os outros foram embora de avião.

Desde Lorient, notávamos que o porão da garagem do barco enchia de água. Além disso, o piloto automático ficava louco freqüentemente.  Em uma travessia oceânica, quase não se conduz o barco manualmente. O funcionamento adequado do piloto automático é fundamental para o conforto da viagem. Tínhamos, portanto, que bombear a água dos porões em todos os turnos e corrigir o curso do barco, quando o piloto pirava.

Além disso, quando navegávamos contra o vento, notamos uma infiltração de água pelos vidros da sala, com gotejamento de água salgada em cima do computador.  O gerador parava devido ao aporte insuficiente de água e os escapamentos superaqueciam, devido ao constante rompimento dos rotores da bomba de água. Nessa altura, eu não estava muito preocupado, pois o Daniel e o Mike cuidavam de resolver essas panes. Mas a entrada de água nos porões me aborrecia. Como o cronograma da divulgação do projeto era apertado, prosseguíamos adiando esses reparos.

Na tarde de 26 de junho chegamos a Londres, que fica nas margens do tortuoso e despoluído Rio Tamisa. O percurso desde o estuário do rio até Londres é de cerca de quarenta milhas. A navegação pelo Tamisa é complicada, pois além de tortuoso, existe um tráfego intenso de navios e de barcaças de carga. Próximo à região metropolitana, o rio torna-se raso e estreito. A variação da maré e a corrente são intensas, o que pode ajudar ou atrapalhar de acordo com o sentido do percurso. Uma corrente contrária de quatro a cinco nós causa uma redução igual na velocidade do barco.

Amarramos o barco a uma bóia ao lado da Torre de Londres às 19 horas e ficamos aguardando a preamar, para entrar na marina.

A marina St. Katherine’s Dock fica na margem esquerda do Tamisa. É uma das marinas mais antigas de Londres. O nível da água da marina é mantido constante por uma comporta que se abre na maré cheia, para a entrada ou a saída dos barcos. Ao lado da marina, está localizada a Torre de Londres, um antigo presídio, famoso pelas execuções ali realizadas. A ponte que fica ao lado da torre de Londres, chamada Tower Bridge, é especialmente charmosa e duas vezes ao dia as suas duas metades se elevam, permitindo a passagem de barcos menores.

Sempre que chegamos a uma marina, o dia da chegada é de limpeza e organização. Depois de dias navegando o barco fica todo bagunçado. Uma vez que o barco é amarrado ao píer, temos que lavar o convés (que fica cheio de sal), organizar os cabos e as velas, remover o lixo, limpar as cabines, lavar a roupa suja e reorganizar a despensa e as geladeiras. No fim do dia, podemos nos atualizar, checar nossas mensagens eletrônicas e beber uma cerveja.

Em Londres, a agenda de atividades estava lotada. Conferências e visitas com a imprensa, coquetéis para os patrocinadores e muito entra e sai no barco. Novamente não pudemos trabalhar na manutenção do barco e então apenas aproveitamos para passear nas imediações da marina.

Com o barco abastecido e os mesmos problemas, partimos de Londres na manhã do dia 30 de junho. Destino final, Groenlândia. Nessa perna, com duração prevista de seis dias, a tripulação estava composta por Mike, eu, Daniel, Andrei, Alexis e Tristan. Estabelecemos turnos de três horas e eu e o Daniel fazíamos os turnos juntos.

Acompanhem nossas aventuras e desventuras aqui no Blog Besni Sustentável!

Abraços,

Dr. Claudio 

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Autor: Pangaea

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Todos nós somos solução!

Hoje em dia as pessoas falam bastante da reciclagem. Esse foi um negócio que movimentou milhares de reais nos últimos anos. Mas...até que ponto isso é efetivamente positivo?

Não, não estou dizendo que somos contra isso (o que, aliás, seria uma grande hipocrisia, pois temos um projeto de Coleta Seletiva em implantação na Besni), mas é que existe algo mais importante que a reciclagem. E eu gostaria de falar sobre isso com todos vocês!

É comum, quando falamos em lixo, escutarmos comentários sobre os 3Rs. E é interessante perceber que a população só se lembra do último R: a Reciclagem...esquecendo daqueles que vem antes: a Reutilização e a Redução!

Reduzindo e Reutilizando evitaremos que maior quantidade de produtos se transforme em lixo. Reciclando prolongamos a utilidade dos recursos naturais, além de reduzir o volume de lixo.

Então porque reciclar não é “assim tão positivo”? Porque continuamos a produzir, consumir, incentivar a formação de lixo. Não que a reciclagem seja ruim, ela é boa. Mas a maneira como as pessoas a fazem pode ser uma faca de dois gumes para o meio ambiente.

Um exemplo prático de como a reciclagem pode ser usada de maneira errada são as famosas gincanas escolares. Nelas os professores promovem uma competição para ver qual das classes (ou aluno) consegue trazer mais material reciclável. Esse tipo de atitude faz as crianças entenderem que, para ganhar, precisam do máximo de lixo que conseguir e isso só faz com que elas incentivem a compra de mais e mais materiais.

É o inverso do que desejamos para o planeta!

Reduzir o consumo de supérfluos, descartáveis, embalagens, etc. e eliminar os desperdícios significa mais que economia de dinheiro. Possibilita economizar bens da natureza e espaço em depósitos de lixo, além de demonstrar consciência e responsabilidade ambiental.

Reutilizar é prolongar a vida útil dos produtos em sua função original ou adaptada. Há diversas utilidades para materiais que poderiam virar lixo. Um pote de plástico pode servir para acondicionar alimentos ou para fazer arte, por exemplo.

Esses são os preceitos que a Besni deseja seguir mais e mais, para que o lugar onde vivemos possa ter o mínimo de impacto possível.

Faça como nossos funcionários, que nos ajudam a melhorar o ambiente fazendo arte com o que iria para o lixo!

Conheça mais do Besni Sustentável e aprenda sobre os temas da atualidade aqui no nosso Blog!

Besni Sustentável – Preservar nunca sai de moda

 

 

Borboleta de Papel Jornal feita por funcionários da Loja Osasco - Primitiva Vianco

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Autor: raquel

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Um susto e a agradável Hamburgo

Foto aérea do dia da filmagem

 Num determinado momento, com o mar calmo e o vento constante, a Gabriela me pediu para conduzir o barco. Cedi a ela o timão e depois de um minuto sentimos um forte estrondo no casco, enquanto o leme principal do barco era atirado para cima, como se tivéssemos batido em alguma coisa. Não entendi nada, pois a ilha mais próxima estava a cerca de uma milha da nossa posição e não havia nenhuma sinalização visível. Apesar de tudo, o barco seguiu o seu curso e foi mais um susto. Observando as cartas náuticas mais tarde, concluímos que batemos em rochedos submersos. No fim do dia o leme estava intacto e a filmagem, com as cenas aéreas, foi um sucesso.

No dia 19, com o barco abastecido, partimos para Hamburgo, na Alemanha. A tripulação estava composta por Mike, Claudio, Alexis, Andries, Tristan, Dario e Gabriela. Durante as travessias, nos revezamos em turnos de três ou quatro horas. A equipe do turno é composta por duas pessoas, que são responsáveis por conduzir o barco, observar o radar e realizar as mudanças de rumo, por checar o funcionamento dos motores e por manter as velas na posição adequada. Enquanto uma equipe realiza o turno, as outras descansam ou preparam a alimentação e cuidam da limpeza do barco.

Saindo de Lorient, alcançamos as águas frias do Canal da Mancha e nos dirigimos para o Nordeste, passando por várias plataformas de petróleo na costa do Reino Unido. O tráfego de navios é intenso nessa região e a atenção deve ser dobrada. Mais ao norte, próximo da costa dos países baixos, notam-se diversas estações eólicas geradoras de energia em pleno mar. Nessa costa ocorreu a única intercorrência da travessia, um leve encalhe num banco de areia nas águas rasas dos países baixos, sem maiores conseqüências. A travessia durou três dias.

Hamburgo é um importante porto fluvial que fica localizado a cerca de 50 milhas do litoral alemão. O percurso, desde o litoral é todo sinalizado por bóias e não oferece maiores dificuldades, exceto pelo grande número de navios que trafegam pelo canal.

Ficamos quatro dias em Hamburgo. Nesses poucos dias, o fato mais interessante foi quando eu e o Martin (que chegou a Hamburgo de avião) saímos, para procurar filtros de reposição para o motor do barco. As coordenadas do GPS do carro nos levaram à entrada de um edifício, na margem do canal. Demorou a percebermos que o tal edifício era um elevador automotivo que descia o carro abaixo do nível do canal. Saindo do elevador percorremos uma viela subterrânea estreita, com cerca de um quilômetro, que chegava ao elevador do outro lado. Não achamos os filtros e na volta comemos um gostoso sanduíche alemão.

No barco aconteciam visitas e coquetéis para convidados da Mercedes e dos outros patrocinadores, portanto nada a fazer.  Nas primeiras horas da noite de 26 de junho, soltamos as amarras e partimos para o Reino Unido.

Falamos-nos em Londres,

Claudio

 

 

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Autor: Pangaea

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Inscrições Pangaea

Aos jovens que desejam increver-se no programa Pangaea - YEP

O caminho para acessar o programa YEP é o seguinte:
acesse www.mikehorn.com e clique no icone do YEP community ou entre diretamente no yep.mikehorn.com e torne-se membro do YEP (join now)

No site (www.mikehorn.com), clique em "Enter site" (em vermelho), clique em "Young Explorers" na barra em cima e escolha FAQ-YEP.
Lá está a resposta para a maioria das dúvidas dos que querem registrar-se.

A janela para o envio de novas application forms deverá ser aberta em março. Até lá, acessem o site do Mike e mantenham-se informados!

Obrigado,

Claudio Birolini

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Está sem o que fazer? Atividades sobre o assunto da semana!

Estamos em período de férias escolares, muitos colegas também estão curtindo seu tempo livre e algumas vezes não sabemos o que fazer...

Se você gostou do post abaixo e quer saber mais ou fazer algo diferente para entender melhor as “dinâmicas” do lixo veja as dicas de atividade e aproveite!

1) Por que não contabilizar a quantidade de lixo produzido em sua casa? Esse pode ser o ponto de partida para aprender sobre os 3R´s!
Pode combinar com seus parentes e cada um de vocês pode controlar a quantidade de lixo produzido na sua família, então organizar os dados em uma planilha ou bloco de anotações. Algumas questões podem ajudar:
 - pretendem contabilizar a quantidade total do lixo familiar ou preferem tomar nota da quantidade de cada um dos tipos de lixo (orgânico, inorgânico – por exemplo)?
 - como vocês podem comparar os dados obtidos?
 - como reduzir a quantidade de lixo produzido?

2) Assistindo ao documentário “A ilha das Flores” pode ser que você se pergunte como um curta-metragem de 20 anos atrás pode ser tão atual. Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo, compreendendo toda a cadeia produtiva e terminando – inevitavelmente – no lixo.
Acesse o Porta-Curtas em
http://portacurtas.uol.com.br/Filme.asp?Cod=647# e assista! (necessário Media Player ou Real Player)

Não deixe de contar para nós suas impressões das atividades!

Besni Sustentável – Preservar nunca sai de moda

 

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Autor: raquel

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O lixo de todos nós...

 

Pense agora em uma atividade da sua rotina. Qualquer uma. De verdade, pense mesmo! Faça o exercício de lembrar dos detalhes dessa ação, do tipo...tomar café da manhã! Da caixa do leite às cascas de frutas, do coador de café até o pacotinho dos pães...tudo é descartável.  

 Tudo vai, em algum momento, para o lixo. 

Mas e o lixo, vai pra onde? Para o mais distante possível das nossas vidas. Não é isso o que desejamos? Mas nem sempre (ou nunca) é assim que acontece. E já que cada ser humano no planeta produz, em média, cerca de 1,5Kg de lixo por dia, acho que fica ainda mais difícil não perceber o incomodo dos resíduos no nosso dia-a-dia. 

Ou o tamanho o problema! 

Uma matéria na Superinteressante de dezembro/2008 ilustra bem o que está acontecendo. Ela nos conta sobre o “Grande Lixão do Pacífico”, um amontoado de 3,5 milhões (isso mesmo, milhões) de toneladas (to-ne-la-das!!!) de lixo sólido, que se espalha por uma área pouco maior que o estado de Minhas Gerais, no oceano a meio caminho entre a Califórnia e o Havaí. Algumas correntes marinhas carregaram todo esse lixo (nosso) para um tipo de redemoinho.  

Nessa “brincadeira”, 267 espécies (lembrem-se, espécie não é um indivíduo...é um conjunto deles. Assim como a espécie humana) de animais marinhos foram extintas.  

E se você não joga lixo no mar ou nunca passou por uma praia, não fique tão tranqüilo... Lembre-se que todos os rios deságuam no mar de alguma maneira... 

E esse é só um exemplo de como a “sociedade do descartável” pode acabar com a vida em nosso planeta. Porém, vamos deixar as catástrofes de lado e pensar um pouco mais em vida? 

O lixo, como Guilherme Souza do blog Recicle Você comenta, é encarado em nossa sociedade como algo ruim que deve ser descartado e afastado de nossa visão, mas devemos nos lembrar que no nosso planeta as coisas não funcionam desta maneira. Em uma floresta, por exemplo, tudo funciona em um sistema de reciclagem: as folhas caem, os troncos velhos e os animais mortos apodrecem e tudo vira adubo para as plantas, iniciando um novo ciclo. Se conseguirmos entender que tudo o que consumimos veio de algum lugar e deve voltar para este lugar podemos manter nossa qualidade de vida sem alterar os ciclos da natureza.  

E sabemos como fazer isso. E chamamos esse processo popularmente de 3R´s – Reduzir, Reutilizar e Reciclar!

 Mas esse é um assunto para outro post... =D 

Aguardem as novidades na próxima semana!!! 

Besni Sustentável – Preservar nunca sai de moda

 

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Autor: raquel

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Capítulo 3 - Pangaea - A viagem Promocional: Lorient à Hamburgo

Em Lorient

 Lorient, 11 de junho de 2008. 

São Paulo, marginal parada, aeroporto, choros da Aline, vôo da TAM, Charles De Gaulle em Paris, ligo para a Cathy, espero o Mike, o Mike perdeu o vôo, ônibus para a estação Montparnasse (como eu compro um bilhete de trem nessa estação?). Embarquei no trem para Lorient às seis da tarde e serão mais cinco horas de viagem. Estranho, pois às 11 horas da noite, ainda era dia. Na estação me esperavam o Martin (irmão do Mike), o Alexis e o Vincent.


Fomos para a marina, localizada em uma estação de submarinos abandonada após a guerra. Nessa marina, moram alguns dos mais famosos trimarãs de competição do mundo e nela está localizado o museu de Erik Tabarly, famoso velejador francês que desapareceu no mar após ser atingido pela retranca da vela do barco, à noite, durante um cruzeiro.


Em um píer próximo, estava atracado o veleiro Tara, um monstro de alumínio semelhante ao Pangaea e conhecido por suas viagens à Antarctica. O Tara, anteriormente chamado de Seamaster foi o palco do trágico assassinato de Peter Blake, ocorrido em 2001, próximo a Macapá, durante uma expedição ao Rio Amazonas. Embora pouco conhecido no Brasil, Sir Peter Blake é considerado herói nacional na Nova Zelândia, ao lado de Sir Edmund Hillary, que foi o primeiro alpinista a atingir o cume do Monte Everest.

No dia seguinte, encontrei o Daniel, o único remanescente da tripulação que levou o barco do Brasil para a Europa. O Daniel foi o responsável pela execução das instalações elétricas e hidráulicas, a alma do barco, desde o início. O seu relato da viagem não foi nada animador.


Durante a travessia para a Europa, eles enfrentaram inúmeros problemas, a maioria deles decorrentes de acabamentos feitos às pressas ou de serviços mal executados. Inversão de mangueiras causando superaquecimento dos motores, vazamentos de fluído hidráulico, infiltração de água em áreas vitais, penetração de água salgada nos tanques de combustível, superaquecimento da sala de máquinas, e outros problemas de um barco que não foi testado antes de partir para uma travessia oceânica.


Naturalmente essa seqüência de desventuras criou um clima desfavorável a bordo e acredito que esse tenha sido o principal motivo da desistência dos tripulantes que partiram do Brasil. Problemas a parte, o batismo do barco em Mônaco, com a presença do Príncipe Albert, foi um sucesso. Depois de Mônaco, fizeram escalas em La Ciotat (França) e Barcelona (Espanha), para reparos, instalações e eventos promocionais.


E agora estamos em Lorient. No Pangaea, minha casa nos próximos meses (ou anos?).  Mãos à obra, como posso ajudar? Vamos por partes!
Recém chegado, me propus a ajudar o Daniel. Instalamos válvulas para impedir o retorno de água salgada para os tanques de combustível, limpamos o banco de baterias que tinha sido inundado com água salgada e bombeamos água dos porões. Limpei e organizei a minha cabine privativa, um dos privilégios concedidos pelo Mike, para o médico de bordo.

O Mike chegou no dia seguinte e no outro dia chegaram a sua esposa Cathy e a secretária Caroline, que vieram para preparar os eventos promocionais do projeto, que ocorreriam em Lorient nos próximos dias. Cathy e Caroline, além de organizar os eventos promocionais, compõem o esquadrão de limpeza. Cada vez que o barco é visitado por convidados, o dia anterior é de faxina total! Junto com elas, chegaram o fotógrafo italiano Dario Ferro e sua cameraman Gabriela.

Nesse dia Daniel teve que retornar às pressas para o Brasil, em virtude do falecimento inesperado de sua mãe.  Ele nos encontraria novamente em Hamburgo. Com a partida do Daniel, um inexperiente jovem francês chamado Tristan, que ganhava a vida dando aulas de surf, foi incorporado à tripulação como marinheiro.

As novas velas foram instaladas em Lorient. Até então, o barco havia sido conduzido unicamente com os motores, jamais com as velas. Saímos para testá-las com uma comitiva de 40 convidados, que haviam assistido à conferência do Mike. Felizmente correu tudo bem, as velas foram içadas e o barco velejou de forma satisfatória. Eu tive o privilégio de conduzir o barco, enquanto o Mike entretinha e dava explicações aos convidados.

No dia seguinte o barco deveria estar preparado para uma filmagem promocional, patrocinada pela Mercedes-Benz. Diversos infortúnios ocorreram naquele dia. Para começar, os geradores que comandam toda a parte hidráulica do barco não funcionaram e todas as pesadas velas tiveram que ser içadas manualmente. Um dos carros que conduz os cabos da vela da proa, a genoa, desprendeu-se dos trilhos e foi atirado sobre o convés, como um projétil. Um grande susto, mas felizmente ninguém foi atingido. Mas o pior ainda estava por vir.

Acompanhe nossas aventuras e desventuras a bordo do Pangaea!

Abraços,

Claudio

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Autor: Pangaea

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